Coisas do Cotidiano: “A Rua Direita”, por Antoniomar Lima

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Por JornalVozAtiva.com Publicado em 01/12/2022, 17:57 - Atualizado em 01/12/2022, 17:57
Colunista Antoniomar Lima
Antoniomar Lima Já publicou dois livros de poesias pela UFOP. Crédito – Arquivo pessoal. Siga no Google News

Dentre as ruas antigas da cidade histórica de Mariana, considero a Rua Direita uma das mais charmosas. Toda vez que passo por ela tenho a impressão que estou entrando num túnel do tempo. E, essa minha impressão se acentua mais ainda, não só pela presença da Igreja da Sé, mas principalmente, porque nessa rua por muitos anos morou  o poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens.

Ladeada de casarões da era colonial que ainda conservam peças antigas: janelas, sacadas com grades e paredes com seus imensos portais etc., a Rua Direita é uma senhora de respeito que traz consigo muitas histórias contadas e não contadas... Talvez, estas últimas jamais chegaremos a saber.

Caminhando sobre o chão de paralelepípedos, estaco, respiro devagar para sentir com mais profundidade a rua! É uma sensação distinta das suas outras ruas.

Comumente passo por ela na parte da manhã quando há pouca movimentação e o sol é mais ameno. Revezo, às vezes, entre as suas duas cumpridas e irregulares calçadas, típicas do tempo e que também não deixam de ser uma atração tanto para os moradores locais como para os turistas e visitantes.

Os costumes são outros, outras pessoas, outras coisas. Mas a suntuosidade da Rua Direita é intocável, o tempo não a extingue. O seu charme é silencioso e discreto, entretanto, encanta quem passa por ela a qualquer hora do dia.

Quantos versos inspirados Alphonsus de Guimaraens não deve ter escrito quando morava nessa rua! – devaneio.

Esses dias conversando com um amigo ele me perguntou: ‘se tem Rua Direita certamente deve ter a rua esquerda, ou não?’ Disse-lhe: ‘certamente. Mas pelo que eu saiba nunca ouvi falar que existe alguma rua com o nome “Rua Esquerda''.

Enfim, curiosidades à parte, a Rua Direita da cidade histórica de Mariana é uma rua que tem um "quê'' que a diferencia de suas outras ruas. Não sei se os moradores mais novos têm essa mesma percepção, talvez, não. 

Por outro lado, os mais antigos, os que conhecem mais a fundo a história da cidade e de suas ruas, têm mais propriedade para falar sobre o assunto. 

Quem passa por ela com o olhar clínico, certamente, sentirá a sensação inexplicável de um tempo que não volta mais! De um tempo que ainda ressoa nos dois lados de seu trajeto curto, mas que se torna longo quando imaginamos a sua magnitude e importância histórica.

Laudate Dominum

“Coisas do Cotidiano”

Em “Coisas do Cotidiano”, o escritor, poeta e graduando em Letras pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Antoniomar Lima, busca percorrer “esse espaço fronteiriço, entre a grandeza da história e a leveza atribuída à vida cotidiana.”

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