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Coisas do Cotidiano: Leia ‘Saudosistas’, por Antoniomar Lima

Antoniomar Lima é graduado em Letras (licenciatura em Língua Portuguesa) pela UFOP e já publicou dois livros de poesias.
Data de publicação: 22/07/2026 11:39
Última atualização: 22/07/2026 11:40
Antoniomar Lima é graduado em Letras (licenciatura em Língua Portuguesa) pela UFOP e já publicou dois livros de poesias. Crédito — Arquivo pessoal.
Antoniomar Lima é graduado em Letras (licenciatura em Língua Portuguesa) pela UFOP e já publicou dois livros de poesias. Crédito — Arquivo pessoal.

O brasileiro, é essencialmente, saudosista de carteirinha. Digo isso porque comumente evocamos passagens de coisas e pessoas que ficaram grudadas, marcadas em nossa memória, não só evocamos passagens significativas, mas também as desagradáveis.

Se por um lado, as primeiras nos causam orgulho e suspiros; por outro, das segundas tiramos lições, aprendizados.

Havemos de reconhecer que ambas deixaram efeitos em nosso espírito. 

Sentimos prazer em voltar, mesmo imaginariamente, em tempos que não voltarão mais; de lembrar de coisas que por quaisquer razões ficaram pelo caminho; sobretudo de pessoas que convivemos em algum momento; que não lembramos exatamente quando, ou até lembramos, mas de um modo ou de outro foi inexoravelmente suprimido pela passagem do tempo.

Lembramos de tudo, ou quase tudo, até de coisas que aparentemente não tiveram nenhuma ligação direta conosco, mas que – sabe-se lá porque – a memória guardou em algum cantinho do labirinto de nosso ser, sem sabermos de sua utilidade, mas que certamente deve ter alguma que ainda, quem sabe, descobriremos.

Lembramos de nós mesmos ao nos desconhecermos numa fase de alguma crise existencial; em algum instante de angústia, de alegria, num momento de solidão, em qualquer instante, enfim.

Tem coisas que a memória não retém, talvez, por não nos servirem e nem nos fazer sentir quem somos ou quem supomos ser.

Nessa avalanche de imagens que idealizamos como um consolo diante da impotência que nos assiste; diante do nada que supomos ser alguma coisa, tocamos a vida com a tênue chama da esperança que é como um sol que brilha dentro de nós e aquece à vontade, a verve de dar continuidade a luz externa de cada amanhecer de onde buscamos arrancar sorrisos que tentam nos tolher ante os absurdos e contradições que poluem e deixam estupefatos nossos ouvidos e olhares.

A esperança é que o número de bons e grandes momentos suplante os de pesares e tormentos que nos espantam e aturdem cotidianamente.

Será que é por isso que vivemos com saudades de costumes,  de coisas e pessoas do passado?

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