Coisas do Cotidiano: Leia o poema “Os Homens Dormem”, por Antoniomar Lima
Em “Coisas do Cotidiano”, o escritor, poeta e graduado em Letras pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Antoniomar Lima, visa percorrer “esse espaço fronteiriço, entre a grandeza da história e a leveza atribuída à vida cotidiana.”
Os Homens Dormem
Os homens dormem,
por um instante, olvidam tudo.
O sono lhes entorpece os tormentos cotidianos.
Mas nem todos os homens dormem,
muitos estão de olhos acesos, nalgum lugar de uma cidade qualquer.
Os homens dormem, dormem…
Nas manhãs muitos outros homens dormem, enquanto, muitos outros mais, acordam.
E muitos, mesmo acordados, ainda dormem.
Para uma boa parte dos homens, acordar, de fato, doem-lhes os olhos e os nervos.
Muitos homens imitam as pedras, (ou são as pedras que os imitam?).
Há tantas pedras atravancando os homens, dentro e fora dos homens.
Pedras e mais pedras…
Flores e mais flores…
Sim, há também muitas flores nos homens.
Algumas até já perderam as cores originais,
Algumas são apenas suspiros vãos.
Enfim, muitas não existem,
Mas deixaram vagando no ar os rastros de perfumes.
Um torpor medonho toma conta dos homens,
Toma conta dos olhos,
dos braços,
dos pés,
dos corações, enfim.
Os homens dormem,
E quando despertam a sorte já foi lançada.
E o que resta?
Somente pó, cinzas,
Para que a vida seja repensada.
Laudate Dominum
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