Coisas do Cotidiano: Leia “Quantos Natais e Anos! ”, por Antoniomar Lima

Em “Coisas do Cotidiano”, o escritor, poeta e graduado em Letras pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Antoniomar Lima, visa percorrer “esse espaço fronteiriço, entre a grandeza da história e a leveza atribuída à vida cotidiana.”

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Por Antoniomar Lima Publicado em 06/12/2024, 10:52 - Atualizado em 06/12/2024, 10:53
Antoniomar Lima é graduado em Letras (licenciatura em Língua Portuguesa) pela UFOP e já publicou dois livros de poesias. Crédito — Arquivo pessoal. Siga no Google News

A décima primeira ou última porta do ano, dezembro de 2024, abriu-se para dois eventos que se repetem anualmente: o dia de natal e o fim de mais um ano.

Quantos natais e anos inesquecíveis povoam nossa memória quando essa porta se escancara! ,

No batente constatamos que nem sempre são as mesmas pessoas que desfrutam conosco esses momentos em que prestamos reverências ao filho de Deus e assistimos à transição numérica dos anos.  

Nessa transição, os sonhos podem não ser os mesmos, mas as caras e as amizades novas se juntam às antigas, sobretudo na renovação destas, como se o ano que chega fizesse questão de mostrar que as novidades existem pendendo para o lado real, concreto, humano.

O curioso disso tudo também é que só tiramos nossas conclusões se determinado ano foi bom ou não quando este finda. 

No passar da régua, percebemos que podemos fazer melhor diante da impressão de incompletude que balouça em nosso interior. 

Comumente ouvimos alguém falar que o tempo de outrora foi melhor, como se o presente não tivesse  nenhum valor. 

Aí que está o equívoco, pois precisamos entender que cada tempo é cada tempo e que pode haver uma coincidência ou outra, mas que se diferencia em algum ponto, talvez, devido a algum acontecimento, ou algo que habite no campo do imponderável, sabendo nós de antemão que nenhum tempo está isento de absurdos e contradições. 

Cada tempo possui suas nuances, coisas marcantes que ficam impregnadas em nosso imaginário, que elegemos em nosso íntimo como inesquecíveis, o que presumo totalmente natural. Aliás, não vejo nada de mais neste tipo de consolação ante a inexorável passagem do tempo.

Esse discurso de que o tempo de outrora fora melhor, que não é uma regra geral - nenhum discurso o é - talvez seja nada mais do que um subterfúgio, não por causa do tempo em si, mas pelo fato de ao volverem o pensamento a um tempo feliz, na companhia de pessoas amadas, ligá-lo a essas ausências que foram ou estão transladadas para a sala vip das reminiscências que traz consigo um tempo que não mais se repetirá.

Estar ciente do tempo é uma experiência única. O problema é que só descobrimos e nos apropriamos dessa novidade com o passar do tempo mesmo. 

Durante a juventude raramente percebemos esses detalhes existenciais, mesmo que tal não adiante nada nem acrescente mais dias ao cabedal da existência.

Ademais, não atentamos para as entrelinhas do cotidiano, as quais, só mais tarde nos acodem e nos fazem refletir sobre a duração das coisas e a alternância  das coisas, sobretudo, não das pessoas que chegam, mas das que partiram antes de nós.

Laudate Dominum

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