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Leia ‘O artista parte, a arte fica’, por Valdete Braga

Uma reflexão sobre a despedida do cantor Rick e a eternidade da música
Publicado em Colunas, Valdete Braga
Data de publicação: 23/09/2026 13:23
Última atualização: 23/09/2026 13:23
Coluna Amenidades, de Valdete Braga: uma reflexão sobre a brevidade da vida e a permanência da arte após a partida de grandes artistas. Imagem gerada por IA.
Coluna Amenidades, de Valdete Braga: uma reflexão sobre a brevidade da vida e a permanência da arte após a partida de grandes artistas. Imagem gerada por IA.

Assim que acessei a internet, deparei-me com a triste notícia da morte do cantor Rick, da dupla sertaneja Rick e Renner. Desde a véspera, após a notícia do desaparecimento do helicóptero que transportava o cantor e mais quatro pessoas, em região montanhosa de Santa Catarina, já se suspeitava deste trágico desfecho, mas isto não o torna menos triste.

A notícia despertou uma comoção nacional, por ser pessoa de relevância no cenário artístico brasileiro, mas independentemente disto, ainda que fosse um anônimo, seria igualmente lastimável, não apenas por ele, mas por todos os cinco passageiros que tiveram a vida ceifada de forma tão trágica.

Uma vida não tem mais valor por pertencer a alguém famoso. A dor dos entes queridos é a mesma, não obstante a profissão ser conhecida ou não, e a solidariedade vai igualmente para os familiares das cinco vítimas desta tragédia. Ela nos mostra, de forma dolorosa, que não temos controle sobre o amanhã. Hoje alguém está cantando, viajando, fazendo planos, trabalhando, e amanhã pode não estar mais entre nós.

No caso específico do cantor Rick, exatamente por ser um cantor cujas músicas embalaram tanta gente, a sensação é de perda de alguém próximo, ainda que nunca o tenhamos conhecido. A pessoa se faz conhecida através das letras de suas músicas, independentemente do gênero que apresenta. Alguns podem gostar, outros não, mas a marca fica.

A arte cria vínculos. Não precisamos conhecer um cantor ou cantora para que seja como se ele ou ela fizesse parte de nossa vida. Basta ouvir uma de suas músicas para que sejamos transportados para um lugar, uma época, um amor, uma pessoa ou uma lembrança importante de nossa história. Este é o maior legado de um artista: aquilo que ele, ao partir, deixa nas pessoas. Talvez seja por isto que, depois da morte de um cantor, seu público procure suas músicas com mais intensidade, como a dizer que ele partiu, mas o que deixou continua presente em cada um de nós.

Se, mesmo após anos de sua partida, alguém colocar uma de suas músicas, não pensará em sua morte, mas em sua voz, em seu talento, no tempo em que esteve entre nós e transformou sentimentos em canções.

A voz de Rick poderá continuar chegando até nós e mesmo até as próximas gerações, em casa, nos carros, nas festas, encontrando pessoas que talvez nem tenham conhecido sua história, mas que poderão conhecer sua arte.

É assim com todos os cantores que partem. Através de suas vozes, eles continuam transmitindo sentimentos, nos trazendo emoções pelas notas musicais.

Desta forma, alguns artistas permanecem para sempre, porque nunca deixam de fazer parte da nossa vida, através de sua arte. Talvez esta seja uma das formas mais bonitas de eternidade.

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