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Coisas do Cotidiano: “Mortos e Vivos Ilustres”, por Antoniomar Lima

Antoniomar Lima é graduado em Letras (licenciatura em Língua Portuguesa) pela UFOP e já publicou dois livros de poesias.
Data de publicação: 11/05/2026 19:06
Última atualização: 11/05/2026 19:06
Antoniomar Lima é graduado em Letras (licenciatura em Língua Portuguesa) pela UFOP e já publicou dois livros de poesias. Crédito — Arquivo pessoal.
Antoniomar Lima é graduado em Letras (licenciatura em Língua Portuguesa) pela UFOP e já publicou dois livros de poesias. Crédito — Arquivo pessoal.

Durante a minha solitária trajetória nas letras, por onde passei, conheci muitas pessoas importantes nessa área. Em Goiás, por exemplo, como eu disse na crônica anterior, tive o privilégio de conhecer Adélia Prado, a maior poeta viva do Brasil. 

Ainda em Goiás, conheci o poeta e historiador José Mendonça Telles (1936-2019), que presidiu a “AGL-Academia Goiana de Letras” durante dez anos; e também o advogado, escritor e vice-governador e depois governador interino de Goiás e também membro da AGL, Ursulino Leão (1923-2018).

Com o primeiro estive conversando longamente sobre literatura no instituto que leva o seu nome em Goiânia; com o segundo, foi, digamos assim, acidentalmente, pois onde eu trabalhava não se podia ler para não desviar a atenção das tarefas, entretanto, teimosamente eu, nas brechas que surgiam, não perdia a chance de pegar algo para ler como o mais badalado jornal da cidade que era “O Popular” e creio que continua sendo até hoje.

Meu encontro com o Dr. Ursulino aconteceu da seguinte maneira: eu estava trabalhando no Setor Bueno, bairro nobre de Goiânia, quando vi um senhor baixo, de óculos, de cabelos brancos, andando devagar vindo justamente na direção onde eu estava. Assim que ele levantou o rosto o conheci logo e ele surpreso perguntou de onde, e eu lhe disse: “das crônicas semanais no “O Popular” onde ele escrevia.” 

Depois da confirmação ainda ficamos conversando sobre literatura, sobre as suas crônicas, principalmente depois que lhe revelei que era seu leitor assíduo, notei a sua satisfação e alegria ao saber disso e minutos depois nos despedimos com um aperto de mão.

Já em Minas Gerais, conheci dois políticos que também eram escritores, ambos ministros de Estado e membros da “AML-Academia Mineira de Letras”: Murilo Badaró (1931-2010) e Aloísio Pimenta (1923-2016). Aliás, muito simpáticos e atenciosos com o forasteiro que vos escreve.

Ainda em Minas, tive a grata satisfação de conhecer Evanildo Bechara (1928-2025), o maior gramático brasileiro e, recentemente, o romancista amazonense Milton Hatoum. O primeiro escritor do estado do Amazonas a entrar para a “ABL- Academia Brasileira de Letras”. Este ainda vivo, dono de uma vigorosa oratória que me tratou com uma educação fora do comum, a qual, deixo aqui o meu registro de agradecimento. 

Conhecer as figuras relacionadas acima, de certo modo, motiva a gente a seguir acreditando no poder da palavra escrita.

Se a gente que ama a escrita se sente alegre quando lemos obras de escritores e artistas consagrados, já falecidos; imaginem essa mesma alegria se multiplicando ao manusearmos obras de artistas da palavra que a gente conheceu pessoalmente.

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