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Coisas do Cotidiano: Leia “Palavras não Traduzem”, por Antoniomar Lima

Antoniomar Lima é graduado em Letras (licenciatura em Língua Portuguesa) pela UFOP e já publicou dois livros de poesias.
Data de publicação: 19/05/2026 12:42
Última atualização: 19/05/2026 12:42
Antoniomar Lima é graduado em Letras (licenciatura em Língua Portuguesa) pela UFOP e já publicou dois livros de poesias. Crédito — Arquivo pessoal.
Antoniomar Lima é graduado em Letras (licenciatura em Língua Portuguesa) pela UFOP e já publicou dois livros de poesias. Crédito — Arquivo pessoal.

Estive fora alguns dias. Fiz, digamos assim, um tour pela cidade maravilhosa. Revi pessoas amigas e lugares da época que lá morei. 

Confesso que o coração bateu forte e os olhos brilharam ao rever essas pessoas e os lugares, – mesmo sabendo do nosso despreparo para as mudanças – entendi as que vi, pois não havia outra saída como nunca houve e nem haverá. 

Como é natural, muita coisa mudou. Mas, a cidade continua imponente e linda e que, como sabemos, muitos consideram o cartão postal do Brasil, refiro-me a cidade em si. 

Quanto aos problemas sociais qual cidade no mundo não os tem?

Como disse, revi parentes e amigos. Como é de praxe quando paramos para conversar, as memórias e as lembranças fluem como uma cachoeira, rodopiam no imaginário como uma forma de consolação e resgate de um tempo que não volta mais, mas que se mantém vivo no íntimo de cada um de nós. 

É uma sensação e uma emoção incríveis que palavras em si não traduzem a constância e profundidade. 

Dizem que a saudade não se mata, simplesmente aliviam o ímpeto do espírito e do coração. E foi justamente isso que aconteceu com a minha passagem por lá. 

Aliás, Adelmar Tavares (1888-1963), considerado o rei da trova, a esse respeito em duas delas escreveu o seguinte: “Para matar a saudade / fui ver-te em ânsias correndo ./ Eu que fui matar a saudade / vim de saudade morrendo.”, ou ainda, “saudade mata é verdade / mas dessa morte me esquivo / como morrer de saudade / se é de saudade que vivo?”

Em outra página desse tempo. De todas as cidades que morei, particularmente o Rio de Janeiro foi uma verdadeira escola para mim. Lá aprendi, ainda muito jovem, a me virar sozinho; a sentir o peso de estar longe da minha parentela, sobretudo dos meus pais;  ante as contingências do dia a dia que me obrigavam a lutar pela subsistência.

Como tudo passa, hoje sexagenario, agradeço a Deus por tudo que passei e aprendi e continuo aprendendo, pois como sabemos a vida é um aprendizado contínuo e que, apesar de supormos, nunca sabemos o suficiente. 

Enfim, o poeta maranhense Gonçalves Dias (1823-1864) resumiu num pequeno verso a existência: “Nascer, viver e morrer. Eis toda vida.”

Portanto, cresçamos com os aperreios e os empecilhos do caminho, mas aproveitemos muito mais a vida com os momentos bons e saudáveis que Deus e a vida nos proporcionam antes que tudo vire meras imagens e lembranças.  

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