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Coisas do Cotidiano: Leia ‘O Verdadeiro Espírito’, por Antoniomar Lima

Antoniomar Lima é graduado em Letras (licenciatura em Língua Portuguesa) pela UFOP e já publicou dois livros de poesias.
Data de publicação: 08/07/2026 11:15
Última atualização: 08/07/2026 11:15
Antoniomar Lima é graduado em Letras (licenciatura em Língua Portuguesa) pela UFOP e já publicou dois livros de poesias. Crédito — Arquivo pessoal.
Antoniomar Lima é graduado em Letras (licenciatura em Língua Portuguesa) pela UFOP e já publicou dois livros de poesias. Crédito — Arquivo pessoal.

Após a eliminação da seleção brasileira de futebol na copa do mundo nos EUA/Canadá e México, uma observação ficou rodopiando na minha mente: “será que o impacto da derrota é igual nos torcedores das outras seleções?”

Não sei. Talvez, seja. Levanto essa reflexão porque no Brasil especificamente aprendemos desde de criança que a nossa seleção é a melhor de todas e tem os melhores jogadores. 

Entretanto, cá entre nós, sabemos que não é bem assim. Assim como a nossa seleção, as outras também têm bons jogadores. Digo bons porque craques, ou mesmo gênios como alguns gostam de falar, só surgem uma vez ou outra no cenário futebolístico.

No caso do Brasil nem citarei nomes para não supor que estou puxando a brasa para a nossa sardinha, apesar de reconhecer que a tentação é deveras instigante, mas não me deixarei levar pelo canto dessa sereia.

Quem na infância não admirou ou mesmo imitou algum grande astro da bola de sua época? 

Quem não sonhou jogar com a categoria de um Pelé, Zico, Sócrates, Pelé, Garrincha e outros que a lembrança não me acode agora?

Eu me incluo no rol de imitadores – sem conseguir, é claro! – quando jogava pelada num campo irregular, às vezes, enlameado e cheio de buracos.

Porém, na minha cabeça é como se eu estivesse num estádio apinhado de gente, tempo lúdico que se perdeu pelas esquinas do tempo.

Mas como tudo passa e toma outras configurações – pois, somos peremptoriamente obrigados a aceitar esse processo -, chega outro tempo em que caímos na realidade. Isto é, percebemos que nem tudo é sonho e que o mundo é uma imensa arena e que não temos outra opção, a não ser lutar em busca do que queremos na base de sacrifício e persistência. 

Aliás, tem um pensamento que talvez sintetize, ou mesmo motive quem tem o espírito guerreiro. Eis, “quem tentou e não conseguiu, é superior àquele que nunca tentou. ”

Não sei se esse pensamento se encaixa no caso brasileiro. Mas, enfim, já passou e não adianta mais chorar o leite derramado, agora é partir para outra, é recomeçar tudo do zero, dar a volta por cima, levantar a poeira e rever onde que se errou e tentar melhorar para as próximas empreitadas.

Talvez, estamos mal-acostumados devido às conquistas do passado, não devemos nos iludir, sabemos que passado é passado.

Não é que não devamos nos orgulhar das conquistas e dos craques do passado, claro que devemos. Entretanto, temos que tê-los como exemplos e tentar, quem sabe, fazer melhor.

Seria chato e até desmotivante se apenas uma seleção ganhasse todas as copas ou não? 

Obviamente que seria. O ápice do esporte é sabermos que urge que devemos fazer por onde e, em último caso, caso não venha o triunfo, que saibamos perder com a mesma dignidade quando soubemos ganhar, reconhecendo a grandeza do outro e aplaudi-los também.

Creio que esse é o verdadeiro espírito – ou deveria ser –  de todo e qualquer esporte. 

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